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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Começa a caça aos prefeitos sujões em Minas Gerais

Chefes do Executivo de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, Nova Lima, Rio Acima e Raposos, na Grande BH, são acionados pelo MP por disporem resíduos sólidos de forma ilegal
Começou em Minas Gerais a temporada de caça aos prefeitos sujões. Depois de vários avisos dados e de muitas recomendações ignoradas, o Ministério Público (MP) estadual já entra com ações por improbidade contra os administradores que insistem em dispor os resíduos sólidos de forma irregular.

A medida vale para prefeitos atuais e de gestões anteriores que, desde 2005, descumpriram termos de ajustamento de conduta (TACs) nos quais se comprometiam a resolver o problema. Pelo menos sete deles estão na mira da Justiça e aguardam o pronunciamento dos magistrados, com risco de perder os direitos políticos. A primeira ação foi proposta em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, cidade cujo lixão precisou ser interditado. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o péssimo exemplo está na conta de Nova Lima, Rio Acima e Raposos.

Nas quatro cidades, as ações estão em fase de notificação e os promotores aguardam os juízes as acatarem ou não. Em Valadares, estão com a corda no pescoço a atual prefeita Elisa Costa e seu antecessor José Bonifácio Mourão. De acordo com o promotor Leonardo Castro Maia, coordenador regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce, foram firmados vários acordos, sendo um  para a adequação do aterro.

Além da execução de todos eles, foi pedida a interdição administrativa do depósito de lixo. “A par dessas questões, o município estava operando o empreendimento sem licença ambiental. O município ajuizou pedido de desinterdição do aterro, mas não foi acatado”, conta.

O promotor acrescenta que não foi por falta de verbas que as recomendações não foram cumpridas. “Havia recursos para o aterro de Valadares. Alguns tiveram de ser devolvidos, porque não foram usados ou o foram indevidamente”, relata. Leonardo Maia reforça que, uma vez proposta a ação, não há mais possibilidade de acordo. Entre as sanções, os prefeitos estão sujeitos a ter de ressarcir os cofres públicos por dano ao erário e perder os direitos políticos.

Com o lixão fechado, a solução foi levar o problema para a vizinha Ipatinga. Desde abril, seis carretas transportam 180 toneladas de lixo diariamente para o município. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Valadares informou, por meio de nota, que a coleta na cidade está sendo feita normalmente e que o transporte até Ipatinga custa cerca de R$ 500 mil por mês. Acrescentou que já há projeto de aterro sanitário, que será construído por meio de parceria público-privada (PPP).

No leva e trás do lixo, quem não gostou nada da solução encontrada por Governador Valadares foi Ipatinga, que paga à Vital Engenharia Ambiental, do Grupo Queiroz Galvão, para receber os resíduos da cidade – e somente dela. A assessoria de imprensa do município informou, também por meio de nota, que o contrato de concessão de limpeza pública prevê o uso exclusivo de Ipatinga. Mas, além de Valadares, o local está recebendo também o lixo de Belo Oriente, Coronel Fabriciano, Marliéria e Timóteo – fato descoberto durante a CPI da Limpeza Pública, em 2010. Por causa disso, o contrato com a Vital está sendo questionado. O objetivo é evitar que, “no fim da concessão de 25 anos, o município de Ipatinga receba aterro sanitário com vida útil menor e com passivo ambiental maior em função dos resíduos de outros municípios”, diz a nota. A Queiroz Galvão foi procurada, mas não retornou para falar a respeito.

Na corda bamba

Na Grande BH, a ação proposta pela coordenadora das Promotorias de Justiça de Habitação e Urbanismo, Marta Alves Larcher, foi motivada pelo descaso em relação ao depósito do Galo, instalado há mais de quatro décadas às margens do Rio das Velhas. Se o juiz acatar a ação, terão de prestar contas à Justiça o prefeito de Raposos, Nélcio Duarte, e seus antecessores Cléber Solano de Castro e João Carlos da Aparecida; o de Nova Lima, Carlos Roberto Rodrigues; e o de Rio Acima, Raimundo Cirilo Alves. Eles poderão ser condenados com perda da função pública, multa cível, reparação dos danos, perda dos direitos políticos e, em caráter liminar, indisponibilidade dos bens até R$ 10 milhões para assegurar recursos que reparem os danos.

Quase um terço dos prefeitos mineiros (278) está na berlinda. O ultimato para acabar com os lixões foi dado pela própria Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que acionou o MP para enquadrar os administradores depois de mais de 10 anos de negociação. O coordenador do Centro de Apoio Operacional da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Luciano Badini, diz que não há mais espaço para enrolação.

Consórcio é alternativa

Será definida, nos próximos dias, a data de lançamento do edital para o megaconsórcio do lixo na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O empreendimento será executado por meio de parceria público-privada (PPP) para transbordo, tratamento e disposição final de resíduos sólidos urbanos em 47 cidades da RMBH e do Colar Metropolitano.

O projeto, coordenado pelas secretarias de Estado de Gestão Metropolitana (Segem) e de Desenvolvimento Econômico (Sede), esteve aberto a consulta pública e recebeu mais de 1 mil páginas de sugestões de investidores, catadores de material reciclável e operadores de tecnologia nacionais e internacionais. BH é a única cidade da região metropolitana que não vai participar da iniciativa.

O modelo de gerenciamento do lixo – aterro, incinerador ou outra tecnologia – será definido pelo vencedor da licitação, que deverá oferecer o menor preço e também se comprometer a aterrar menos quantidade. O consorciado terá a obrigação de não aterrar, pelo menos, 20% de todo o resíduo recolhido nas 47 cidades. Os aterros ou usinas não têm ainda locais definidos e serão escolhidos pela iniciativa privada. A estimativa é de que três cidades recebam os detritos.

De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), 11 consórcios estão formatados, dos quais seis já funcionam, nas cidades-polo de Itajubá (Sul do estado), Frutal (Triângulo mineiro), Cristiano Otoni e João Monlevade (Região Central), Betim (RMBH) e Janaúba (Norte de Minas). Os consórcios surgiram como a solução mais viável para tirar da forca os prefeitos em risco de serem processados e de aliviar, ainda, os pequenos municípios, que não têm quantidade de lixo suficiente para atrair a iniciativa privada no negócio de construção de aterros.

Fim dos lixões

Afinal, vence no início de agosto de 2014 o prazo da Lei 12.305 dado às cidades brasileiras para a eliminação completa dos lixões e a construção de aterros sanitários. Mais perto ainda está a data para a entrega dos planos municipais de gestão integrada dos resíduos sólidos, no início do mês que vem. As cidades que não cumprirem essa primeira parte do dever de casa não terão acesso a recursos da União destinados a empreendimentos e serviços relacionados à limpeza pública e ao manejo dos resíduos.

Menos da metade da população mineira (47%), ou 9,2 milhões de habitantes de zonas urbanas, é atendida por unidades regularizadas de disposição final de resíduos. São 136 usinas de triagem e compostagem e apenas 80 municípios com aterros sanitários. A maioria convive com descarte a céu aberto (278) ou com os aterros controlados (359), que nada mais são do que lixões cobertos por uma manta de terra.

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2012/07/18/interna_politica,385689/comeca-a-caca-aos-prefeitos-sujoes-em-minas.shtml

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Lodo tóxico

Famosa por ser rigorosa com o uso da maconha, a pequena localidade de Sierra Blanca faz vistas grossas para um dos maiores crimes ambientais em curso nos EUA. Sierra Blanca, segundo denúncia de ambientalistas norte-americanos, liberou uma área destinada ao depósito final dos sedimentos sólidos resultantes do tratamento de esgotos de Nova Iorque. Moradores locais têm denunciado uma série de problemas de saúde incomuns na última década, desde a formação do depósito. Investigadores independentes têm se concentrado em avaliar o impacto causado pela ação do lixo tóxico proveniente de NY e as licenças ambientais emitidas nesse sentido, liberadas em uma velocidade recorde de 23 dias.

O lodo de esgoto é o bolo molhado sólido produzidos depois de dejetos humanos, residenciais e industriais combinados em estações de tratamento de águas residuais. Inventário da Agência de Proteção Ambiental de Emissões Tóxicas também revela que milhares de toneladas deste resíduo químico são descarregadas em sítios por todo o país. Um relatório especial da Universidade de Cornell estima que mais de 60 mil substâncias tóxicas e compostos químicos podem ser encontrados no lodo de esgoto.

Estes resíduos são combinados em estações de tratamento central, onde se forma o lodo de esgoto, que pode conter metais pesados como o arsênico, cromo, mercúrio, chumbo e resíduos radioativos. Além disso, substâncias cancerígenas, tais como pesticidas, juntamente com agentes patogénicos, incluindo vírus e bactérias portadoras de E Coli, Salmonella e TB também são encontrados no lodo de esgoto.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Os números da reciclagem no Brasil

Apenas 18% dos municípios brasileiros possuem coleta seletiva. O que o Brasil ganha e perde com isso

LAURA LOPES

O país perde cerca de R$ 8 bilhões por ano por deixar de reciclar os resíduos que poderiam ter outro fim, mas que são encaminhados aos aterros e lixões das cidades. Este foi o valor estimado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) por encomenda do Ministério do Meio Ambiente. Ainda assim, o volume do lixo urbano reciclado aumentou nos últimos anos. Segundo o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), passou de 5 milhões de toneladas em 2003 para 7,1 milhões de toneladas em 2008, o que corresponde a 13% dos resíduos gerados nas cidades. Se considerada apenas a fração seca (plástico, vidro, metais, papel e borracha), o índice de reciclagem subiu de 17% em 2004 para 25% em 2008. O retorno financeiro é visível: o setor já movimenta R$ 12 bilhões por ano.

Entre 2000 e 2008, houve um aumento de 120% no número de municípios com coleta seletiva, chegando a 994. A maioria está localizada nas regiões Sul e Sudeste do país. O número, embora importante, ainda não ultrapassa 18% dos municípios brasileiros. Confira, no infográfico abaixo, um pouco mais sobre a reciclagem no Brasil.
Dados sobre a reciclagem no Brasil (Foto: Gustavo Campoy)
Números da reciclagem no Brasil (Foto: Gustavo Campoy)
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/o-caminho-do-lixo/noticia/2012/01/os-numeros-da-reciclagem-no-brasil.html

Comece a reciclagem dentro de casa

Dicas para separar seu lixo em casa (Foto: Gustavo Campoy)
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/o-caminho-do-lixo/noticia/2012/01/comece-reciclagem-dentro-de-casa.html

Como funciona um aterro sanitário

Até agosto de 2014, todos os municípios brasileiros precisam apresentar um plano de destinação adequada aos rejeitos em aterros sanitários

LAURA LOPES

O lixão de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, foi desativado em 2010. Agora, o lixo doméstico não reciclável vai para um aterro particular, Tecipar. Regulado e fiscalizado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o aterro segue todas as normas para prevenir a contaminação do solo e do lençol freático e passa por uma auditoria da Organização das Nações Unidas (ONU) para poder vender crédito de carbono com a queima do gás metano produzido pela decomposição do lixo. O líquido que esse lixo solta ao longo do tempo, o chorume, é drenado para piscinas e depois transportado para estações de tratamento de esgoto. No fim, ele retorna ao aterro em forma de um pó preto.
 O aterro da Tecipar recebe cerca de 700 toneladas de lixo por dia dos municípios de Santana de Parnaíba, Barueri,Carapicuíba e Araçariguama. Ele funciona 24 horas por dia, seis dias por semana. Cada camada de lixo compactado com terra argilosa tem cerca de cinco metros de altura e só a argila pode ser usada para cobrir o lixo, por ser impermeabilizante. Essa camada de terra que vai por cima dos resíduos evita a presença de animais, como urubus e cães. E, assim como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), catadores de materiais recicláveis estão proibidos de entrar no aterro.

As diversas áreas do aterro possuem drenos com os poços que coletam gases resultantes da decomposição do lixo, sendo o metano (CH4), o gás carbônico (CO2) e o oxigênio (O2) os mais presentes. Esses gases são queimados – e o metano deve ser totalmente quebrado em gases não poluentes para que a empresa possa vender crédito de carbono. No dia da visita da reportagem de ÉPOCA ao aterro, 32,3% do gás coletado eram metano, 22,9%, gás carbônico, e 6,41%, oxigênio.

Segundo a PNRS, até agosto de 2014, todos os municípios brasileiros (ou convênios de municípios) precisam apresentar um plano de destinação adequada aos rejeitos em aterros sanitários. No Brasil, o destino final dos resíduos sólidos são os lixões (ou vazadouros a céu aberto) em 50,8% dos municípios, em aterro controlado em 22,5% e em aterro sanitário em 27,7%. Esses são dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008. Todos os dias, são coletadas 188.815 toneladas de resíduos, sendo que 58,3% vão para aterro sanitário, 19,8%, para lixão e apenas 1,4% para reciclagem. Ainda há 2.906 lixões no Brasil, distribuídos em 2.810 municípios, que devem ser erradicados.

SAIBA MAIS:
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/o-caminho-do-lixo/noticia/2012/01/como-funciona-um-aterro-sanitario.html

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Comissão aprova regras para comercialização de pilhas e baterias

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei 1046/11, do deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), que estabelece regras para a comercialização de pilhas e baterias. A proposta prevê, por exemplo, a impressão do prazo de validade de forma visível na embalagem e no corpo dos produtos.
Segundo o projeto, pilhas e baterias também deverão conter: alerta sobre a necessidade de reciclagem após o uso; detalhamento da sua composição química de acordo com as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama); e detalhamento sobre as consequências e os riscos do mal uso para o ser humano e para o meio ambiente.

Pontos de coleta

O projeto exige que os fabricantes de pilhas e baterias ofereçam pontos de coleta em centros comerciais, em supermercados e na rede de assistência técnica autorizada. Os fabricantes também terão de promover campanhas publicitárias de conscientização sobre a necessidade de coleta e reciclagem dos materiais que comercializam.

O relator do projeto, deputado Carlinhos Almeida (PT-SP), apresentou parecer favorável. “É necessário informar os consumidores sobre o uso e o descarte de produtos com potencial capacidade de trazer riscos à saúde humana e ao meio ambiente, como é o caso das pilhas e baterias.”

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou emenda do relator que exclui referência do projeto às resoluções 257 e 263 do Conama. O objetivo, segundo o relator, é evitar que a lei precise ser atualizada em decorrência de futuras resoluções do Conama. “É melhor deixarmos apenas uma referência ao cumprimento das normas editadas pelo Conama, sem especificação determinada.”

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado por outras três comissões da Câmara (de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania).

Íntegra da proposta:

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